O legado do Partido dos Panteras Negras * Robert Greene II/Jacobin

O legado do Partido dos Panteras Negras
Robert Greene II
Tradução
Luís Branco

Há cinco décadas o partido que defendeu o socialismo revolucionário nos EUA convidou organizações de esquerda para conferência antifascista em Oakland. Apesar da repressão meses depois, a visão antirracista e anticapitalista do partido permanece viva até hoje.

2016 marcou o quinquagésimo aniversário da expressão “Black Power”, cunhada por Stokely Carmichael, e também da formação do Partido dos Panteras Negras (PPN).

Criado pelos ativistas radicais de Oakland, Huey Newton e Bobby Seale, os Panteras Negras logo se tornaram a maior manifestação da ideologia “Black Power” após a sua formação em outubro de 1966. No entanto, muito do que se sabe acerca dos Panteras permanece no esquecimento ou foi distorcido, e a iconografia das armas surge à frente de um conhecimento aprofundado dos seus objetivos.

Para pôr a história em pratos limpos, o texto que se segue é um manual sobre o Partido dos Panteras Negras – um grupo que meio século após a fundação ainda tem muito para nos ensinar sobre organização, ideologia e os perigos de defender o socialismo revolucionário nos Estados Unidos.

Origens e objetivos

OPartido dos Panteras Negras seguiu os passos dos grupos negros de esquerda que o precederam, como a African Blood Brotherhood e o National Negro Congress. Tal como os antecedentes, os Panteras Negras adotaram tanto o nacionalismo negro como o socialismo. Seale e Newton pretendiam criar uma organização que pudesse defender a comunidade negra contra a brutalidade policial, dando ao mesmo tempo uma nítida visão anticapitalista.

Ao contrário das principais organizações do Movimento dos Direitos Civis, o PPN tinha a sua base potencial no “Lumpemproletariado Negro Urbano”, como explicou um dos seus primeiros líderes, Eldridge Cleaver, no manifesto On the Ideology of the Black Panther Party

Para Cleaver e outros líderes do PPN, o lumpemproletariado negro era composto por quem tem estado “perpetuamente na reserva” – os Afro-Americanos, em Oakland e não só, que não conseguiam encontrar trabalho ou obter a formação necessária para competir numa força de trabalho em modernização. Eles dirigiram-se a este segmento da população – em vez do agente tradicional da revolução, a classe operária organizada – para potencializar a sua luta contra a supremacia branca, o imperialismo e o capitalismo.

Nascido em Oakland, cidade com longa história de radicalismo e luta pelos direitos civis, o PPN acabou por formar núcleos por todo o país – de Nova Iorque a Chicago e no Sul, em locais tão distintos como Winston-Salem, Carolina do Norte e New Haven, Connecticut. Nos seus tempos áureos, o PPN jactava mais de 5.000 militantes a nível nacional. E chegavam a muitos mais através do seu jornal, o Black Panther, que tinha uma circulação de 250.000 exemplares.

O que dava coerência aos vários núcleos não era forçosamente uma liderança do topo para a base, mas um ethos de Black Power, organização comunitária e o socialismo que canalizava a energia dos jovens Afro-Americanos descontentes com a hipocrisia do liberalismo da Grande Sociedade e com a insensibilidade do conservadorismo da Nova Direita. Surgiram líderes jovens e talentosos a nível local, em especial Fred Hampton, em Chicago.

Na resistência à brutalidade policial em Oakland, os Panteras escolherem a autodefesa armada, uma tática empregada por muitos Afro-Americanos em todo o Sul do país. A ligação geográfica não era uma coincidência. Fundada por dois sulistas (Seale nasceu no Texas, Newton no Louisiana), o PPN partilha o seu símbolo icónico com a Lowndes County Freedom Organization no Alabama (fundada por Carmichael). Ambos os grupos desafiaram diretamente a supremacia branca nas bases.

Mas para o PPN, a luta contra o racismo seria incompleta sem uma luta contra o capitalismo. A sua plataforma em dez pontos, de 1966, a mais clara expressão programática da política do grupo, apresentava uma análise crítica, tanto da supremacia branca, como do capitalismo na América. Entre as suas reivindicações estavam o “pleno emprego”, “habitação digna” e um “plebiscito fiscalizado pelas Nações Unidas” para decidir se os Afro-Americanos desejavam separar-se dos EUA e criar a sua própria comunidade auto-organizada.

Cada um desses objetivos, juntamente com os outros descritos no programa de dez pontos, apontavam para uma organização que já estava a juntar os vários eixos do pensamento de esquerda predominantes no final da década de 1960.

As atividades do Partido dos Panteras Negras

Entre as principais atividades dos Panteras estavam os seus serviços sociais, ou “programas de sobrevivência”. O mais famoso era o programa de pequeno-almoço gratuito, que fornecia refeições a muitos jovens Afro-Americanos pobres em Oakland. Outro era o programa local de educação para a saúde, que ajudava os Afro-Americanos sem acesso a cuidados de saúde de qualidade.

Todos juntos, os mais de sessenta programas de sobrevivência permitiram aos Panteras Negras ganhar o apoio de muitos operários Afro-Americanos em luta, melhorando de imediato a qualidade de vida dos moradores enquanto apontavam a um futuro socialista.

O PPN também ficou conhecido por patrulhar a ação dos agentes policiais de Oakland nas ruas. Armados com espingardas e livros de leis da Califórnia, eles circulavam na cidade e fiscalizavam as abordagens policiais, procurando diminuir a brutalidade policial. O uso das armas levou a Assembleia Geral da Califórnia a aprovar, e o então governador Ronald Reagan a sancionar, o Mulford Act de 1967, que proibiu o porte público de armas carregadas.

A polícia também não viu com bons olhos a fiscalização armada dos Panteras. No mesmo ano da aprovação do Mulford Act, uma blitz de trânsito descambou num tiroteio entre Newton e o agente policial de Oakland, John Frey, que morreu no local. Os julgamentos de Newton que se seguiram tornaram-se causas importantes para a esquerda americana, que tomou o slogan “Free Huey” como o grito contra a opressão, a brutalidade policial e a supremacia branca na sociedade.

A inquietação aumentou nos meios governamentais sobre a ameaça que os Panteras colocavam à segurança nacional. Para além das batidas e emboscadas policiais, o FBI, sob os auspícios do seu famigerado COINTELPRO (Counter Intelligence Program) abriu guerra contra os Panteras. O FBI olhou com especial interesse para os núcleos de Oakland e Chicago, semeando a discórdia entre os membros do PPN e muitas vezes deixando os militantes inseguros sobre em quem confiar.

O assassinato de Hampton e de Mark Clark, líder do Partido dos Panteras Negras no estado do Illinois, durante uma invasão policial no apartamento de Hampton, em 4 de dezembro de 1969, mostrou até onde as autoridades locais e nacionais estavam dispostas a ir para acabar com o Partido dos Panteras Negras. Até os programas de pequeno-almoço gratuito – vistos como fonte potencial de radicalização duma nova geração de Afro-Americanos – foram alvo do FBI e da polícia local.

Sob o peso de uma severa repressão estatal, acabaram por surgir divergências graves acerca das diversas atividades do grupo. No início dos anos 1970, os Panteras Negras estavam dividido tanto sobre a linha ideológica, como tática.

Huey Newton queria centrar a atenção do PPN no ativismo local, formação e programas de serviço comunitário. Eldridge Cleaver – que chegou a ser o ministro da informação do PPN, mas que fugira para Cuba e depois para a Argélia na sequência de uma cilada da polícia de Oakland – pressionava o partido para se preparar para a insurreição armada nos Estados Unidos. O racha foi colocado à vista de todos em 1971, quando Newton criticou abertamente Cleaver nas páginas do Black Panther.

Quando Elaine Brown se tornou a presidente do partido, em 1973 – substituindo Newton, que estava exilado em Cuba –, fez o partido regressar fortemente à sua orientação para as bases. Brown deu destaque ao serviço comunitário, gerindo a Oakland Community School nos anos 1970 e formando nesse processo centenas de crianças Afro-Americanas de Oakland.

Durante o seu mandato, o PPN tornou-se um importante agente político em Oakland e na Califórnia. Bobby Seale fez uma grande campanha para prefeito de Oakland em 1973 e 1975 (ficando em segundo, entre nove candidatos, após perder no segundo turno), e Brown entrou na corrida para o conselho municipal em 1973 e 1975 (nas duas vezes ficou perto de ganhar). Brown apoiou também a candidatura bem sucedida do Democrata Jerry Brown a governador em 1974 (embora seja menos evidente no que é que esse apoio beneficiou o eleitorado do PPN).

No fim das contas, a visão de Newton para o PPN acabou por triunfar. Mas o seu regresso do exílio em 1976 desencadeou outra luta pelo poder que acabou por destruir o PPN.

A relação com a esquerda

OPartido dos Panteras Negras não se isolou do resto da esquerda. O seu núcleo de Chicago, por exemplo, tinha uma relação de trabalho com os Young Patriots, uma organização composta sobretudo pelos filhos e filhas dos migrantes brancos dos Apalaches. Em 1969, o PPN convidou os Young Patriots e outras organizações de esquerda para virem a Oakland participar na United Front Against Fascism Conference.

A liderança de Hampton era crucial para estabelecer esta ligação. Enquanto líder do núcleo de Chicago, Hampton dirigia-se aos brancos pobres como parte do seu esforço para forjar uma aliança antirracista e anticapitalista entre os despossuídos. Como explicou Hampton, “Não vamos lutar contra o racismo com racismo, mas sim com solidariedade. Não vamos lutar contra o capitalismo com o capitalismo negro, mas sim com o socialismo”. O seu assassinato em 1969 devastou o Partido dos Panteras Negras, retirando do movimento um dos seus líderes mais jovens e promissores.

Os Panteras também estiveram envolvidos no movimento antiguerra, considerando que a sua luta pela libertação negra e a autodeterminação estava ligada aos movimentos de resistência no Vietnã, Argélia e outros países. Chegaram a abrir um núcleo na Argélia em 1969. Quando se envolveram no movimento antialistamento (“uma das primeiras alianças bem sucedidas que tivemos”, sublinhou Seale), os Panteras deixaram claro que os abusos que os Afro-Americanos sofriam nas mãos da polícia nos EUA eram o reflexo da repressão que os vietnamitas e outros grupos sofriam dos militares norte-americanos.

Os textos de Newton sobre a ideologia do Partido dos Panteras Negras no fim dos anos 1960 mostram uma tendência mais ampla entre os radicais Afro-Americanos – de Martin Luther King, Jr a Stokely Carmichael – que ligavam o racismo no país ao imperialismo no estrangeiro. Newton, por exemplo, exprimiu muitas vezes o seu apoio à Palestina nos seus artigos, que eram muito lidos.

Nos anos 1970, enquanto membros da esquerda Black Power mais ampla, os Panteras entraram nos debates sobre o caminho a seguir pelos Afro-Americanos após o declínio do Movimento pelos Direitos Civis. Figuras de proeminentes do movimento Black Power, como Amiri Baraka (LeRoi Jones antes da sua acessão ao nacionalismo negro no fim dos anos 1960), tornaram-se reconhecidos marxistas e combateram a retórica nacionalista.

Os Panteras, embora com menos nacionalismo negro do que a imaginação popular lhe dá, nunca renegou a sua marca Black Power. Mas gastaram bem mais tempo a refletir sobre a melhor combinação de nacionalismo negro e socialismo – e influenciou a prática de outros grupos de esquerda nesse processo.

O legado dos Panteras

Aimportância do trabalho dos Panteras Negras permanece ainda hoje, por muitas razões. Primeiro, recorda-nos que o problema da violência policial está conosco há muito tempo (Martin Luther King, Jr até o mencionou no seu muito citado, e muitas vezes mal interpretado, discurso do “I Have a Dream”). De fato, os protestos que se seguiram à morte de Denzil Dowell em North Richmond, uma localidade perto de Oakland, em abril de 1967, tiveram um papel determinante no crescimento do PPN, que passou de uma pequena organização de quadros a uma grande força política e social.

Em segundo lugar, o PPN mostra-nos um bom modelo de ativismo de base e de ideologia em ação. Enquanto o grupo era dilacerado pelos conflitos entre Newton e Cleaver nos anos 1970, os Panteras continuaram a fazer um importante trabalho na região de Oakland. Os seus “programas de sobrevivência” dirigiam-se a Afro-Americanos pobres que não conseguiam apoio da administração local. E sobretudo, eles ligaram o seu programa de educação e pequeno-almoço gratuito a um projeto político mais amplo. Enquanto mistura genial de prática e idealismo, o trabalho comunitário do PPN foi o trabalho mais revolucionário que fizeram.

O Partido dos Panteras Negras foi também um importante campo de preparo para as mulheres ativistas Afro-Americanas, como Kathleen Cleaver e Elaine Brown. Tal como no Movimento pelos Direitos Civis, as mulheres fizeram boa parte do trabalho básico do PPN.

Isto não quer dizer que o PPN fosse um exemplo no que toca aos direitos das mulheres. Quando Seale e Newton formaram o grupo, dirigiram o seu apelo aos “irmãos do bairro”. (Em outras ocasiões, a sua retórica foi bastante progressista: em agosto de 19760, Newton tornou-se um dos primeiros líderes Afro-Americanos, dentre todas as linhas ideológicas, a exprimir solidariedade com os gays e lésbicas norte-americanos.) Mesmo durante o mandato de Brown na presidência do PPN; a direção do grupo permaneceu esmagadoramente masculina e as mulheres Panteras eram sujeitas a abusos verbais e físicos.

Ainda assim, Brown e outras mulheres Panteras Negras conquistaram o seu espaço e deram uma imensa contribuição para a organização.

Finalmente, o legado do Partido dos Panteras Negras pode ser visto hoje no movimento Black Lives Matter. As suas reivindicações por justiça econômica, poder comunitário e reparações fazem lembrar a plataforma de dez pontos do Partido dos Panteras Negras. E tal como os movimentos Black Power e dos Direitos Civis, o movimento Black Lives Matter teve de enfrentar repetidamente a cobertura midiática negativa e a crítica de muitos liberais norte-americanos pedindo para “irem mais devagar”.

Agora que se completam cinquenta anos desde a sua fundação, os Panteras devem ser recordados por mais que as suas boinas pretas e as armas. Apesar das suas falhas, eles combinaram a urgência e a transformação numa ideia política poderosa, defendendo uma aliança multirracial contra o racismo, o capitalismo e o imperialismo que resultou em ganhos tangíveis para os mais explorados. Essa ideia continua a ser tão inspiradora hoje como foi então.


Sobre os autores
Professor assistente de história na Claflin University e editor de resenhas de livros no blog da Society of US Intellectual Historians.
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COLÔMBIA DE PETRO É UMA COLÔNIA DE PRESOS POLÍTICOS * Por Redher

COLÔMBIA DE PETRO É UMA COLÔNIA DE PRESOS POLÍTICOS

Glória Silva: “Tornar visível a existência dos presos políticos é tornar visíveis as diferentes lutas dos povos do mundo”´

Por Redher*.- 15 de outubro é o Dia do Preso Político na Colômbia. Neste sentido, a Rede de Irmandade e Solidariedade com a Colômbia (REDHER) entrevistou Gloria Silva, defensora dos direitos humanos e presos políticos, da Equipe Jurídica de Pueblos.

15 de outubro é o Dia do Preso Político na Colômbia. É o dia em que aquelas pessoas que, a partir das difíceis condições da prisão, contribuem para a transformação social do país, têm a honra de fazer eco das suas reivindicações e de refletir sobre o papel do sistema prisional no modelo capitalista.

Este dia comemora a prisão e posterior execução extrajudicial de Luis Carlos Cárdenas Arbeláez em 1973. O dirigente sindical foi capturado pela Unidade Operacional da IV Brigada em Medellín e posteriormente assassinado.

R: Qual o significado de comemorar este dia para você e para os presos políticos?

Glória Silva: Sempre houve interesse do poder hegemónico em negar a existência de presos políticos. Acima de tudo, em regimes que se afirmam democráticos. Porque as pessoas associam que os presos políticos só existem em regimes ditatoriais e que são basicamente políticos que estão presos. Esta ideia é uma distorção completa.

A partir do movimento popular mundial, damos um significado diferente ao que significa ser um preso político.

Tornar visível a existência dos presos políticos é tornar visíveis as diferentes lutas dos povos do mundo e compreender que aqueles que estão presos são o produto destas contradições.

Pensamos que a sociedade como um todo deve reflectir sobre o facto de que existem pessoas que são perseguidas pelo seu pensamento e pelo seu trabalho contra-hegemónico.

Tornar visíveis os presos políticos é trazer à luz que existe resistência à repressão. Quem se esquece dos presos, esquece a luta; É por isso que a solidariedade com os presos políticos faz parte desta resistência.

R: O que distingue um preso político de um preso comum?

Gloria Silva: São vários os elementos que os distinguem, mas também nos levam a uma reflexão necessária.

Primeiro, um preso político é um oponente do sistema prevalecente, não apenas do seu governo, mas do sistema.

A base de sua concepção de vida é o coletivo e não o individual. Existe uma causa coletiva por trás de suas ações e estilo de vida.

Isto inclui pessoas que lutam com armas, mas também aquelas que lutam com ideias ou das organizações do Movimento Popular.

Há também pessoas que acabam na prisão só porque vivem numa zona de controlo da guerrilha. Perguntamo-nos: são ou não são presos políticos? Eles não estão lá por uma consciência colectiva, mas os camponeses têm as suas próprias formas de organização, de relacionamento, etc.

As organizações camponesas sempre foram identificadas como parte da insurgência. Para nós não é importante determinar qual é essa relação para definir se ele é ou não um preso político.

Por outro lado, quem vai para a prisão responde a uma definição política. Quais são os grupos sociais que vão para a prisão e quais são os grupos que não são tocados?

Da mesma forma, sempre dizem que a lei é para todos, mas isso é pura bobagem porque nem todos são perseguidos nem a lei é para todos.

Isto é algo que qualquer um percebe; Não é difícil entender isso. E abre a porta para dizer que todos os presos que vêm dos setores populares são políticos porque a decisão de criminalizar a pobreza é política. É mais um critério que se posicionou na reflexão sobre quem são os presos políticos.

E depois há os critérios que o governo usa. Geralmente, os prisioneiros são julgados por crimes políticos e os crimes políticos previstos na lei são extremamente limitados.

Há rebelião, sedição, motim e pronto. E é o sentido que o atual Governo utiliza e que coloca em cima da mesa nas negociações com o ELN.

Segundo eles, quem é acusado de um crime comum, por exemplo, sequestro ou extorsão, não é preso político.

A caracterização dos presos políticos é algo que merecerá sempre reflexão. As realidades estão mudando.

R: Quantos presos políticos existem atualmente na Colômbia?

Gloria Silva: Devido a todas estas arestas na definição de quem são os presos políticos, é difícil dizer. Mas hoje se fala em 1.200 ou 1.300.

A maioria deles são pessoas em pé de guerra. E aqueles que vêm dos protestos e da linha de frente são 50 ou 60 que estão privados de liberdade, porque muitos deles saíram por expiração de seus mandatos, mas seus processos judiciais continuam.

R: Como é a situação dos presos políticos presos neste momento?

Glória Silva: Sempre preso, as condições são precárias. Acesso à saúde, alimentação, visitas, etc.

No entanto, existe um grupo de presos políticos que são do ELN e tiveram alguma melhoria nas suas condições como resultado dos acordos assinados no âmbito do diálogo.

Um grande número de presos políticos foi classificado como “altamente perigoso” e isto implica limitações muito maiores para eles.

Por exemplo, as visitas não têm a mesma regularidade nem as mesmas condições que as de outras pessoas privadas de liberdade.

Eles não podem trazer alimentos da mesma forma e seus traslados para atendimento médico são muito mais complexos porque exigem a adaptação de condições de segurança como determinados veículos e um grupo especial de traslados para que supostos vazamentos possam ser evitados.

São coisas que acabam limitando o seu acesso aos direitos. “Não podemos levá-lo ao hospital porque não temos o veículo ou não temos o grupo especializado”, ou algo assim.

Na negociação, conseguiram que o INPEC (Instituto Nacional Penitenciário e Penitenciário) concentrasse os presos do ELN em cinco estabelecimentos prisionais de segurança média.

Isto mudou algumas condições e reduziu até certo ponto esta pressão permanente. Embora o quadro de precariedade na prisão seja geral, é para todos. É claro que aqueles que estão em La Picota ainda estão numa prisão de segurança máxima.

Também foi negociado que os presos políticos seriam colocados em prisões mais próximas do seu local de origem para permitir um maior contacto com as suas famílias.

E, por fim, a concentração dos presos em apenas cinco centros permitiu-lhes construir uma vida coletiva e resgatar uma característica principal da sua identidade, da sua essência.

Porque a política penitenciária há anos busca atomizá-los em pequenos grupos e em pátios diferentes para que não possam construir uma vida coletiva.

Nessas condições, eles têm que manobrar para encontrar seus companheiros e trocar palavras de incentivo.

Outro eixo desta política tem sido afastá-los da família para quebrar a sua rede natural de apoio emocional.

Mas estes avanços não são apenas o resultado de negociações à mesa, mas também da luta de anos de presos políticos.

Por exemplo, em Cúcuta, onde esta semana realizaremos o ato comemorativo, os presos políticos sempre tiveram um peso particular na população carcerária devido a uma tradição de organização muito forte.

Assim têm três pátios regidos por outras lógicas de convivência; Embora existam também alguns presos sociais, eles integraram-se nestas dinâmicas. Isto implica que eles mantiveram a sua comunidade contra todas as probabilidades.

O nível de administração dos projetos coletivos que desenvolveram tem sido muito bom e beneficiado não só a eles, mas também aos demais presos.

Isso lhes rendeu espaço. Mas as greves de fome, as mobilizações familiares e as boas relações com organizações sociais externas também foram fundamentais para garantir que as reivindicações do Coletivo de Presos Políticos Alirio de Jesús Pedraza Becerra tivessem eco.

No entanto, também existem contratempos neste processo. Com a suspensão do cessar-fogo e a acção militar do ELN contra uma base militar em Arauca em Setembro, o INPEC transferiu todos os presos políticos de Arauca para prisões em diferentes partes do país.

Dispersou-os com uma alegada suspeita de que se preparava uma fuga, mas foi mesmo uma medida de retaliação, de aproveitamento político desta acção bélica, através de uma medida que implica maiores limitações prisionais para estas pessoas, uma deterioração das suas condições de vida .

R: A política do INPEC mudou durante o governo de Gustavo Petro?

Gloria Silva: Acho que há algumas mudanças. Em algumas coisas, há maior acesso e menos resistência do sistema.

Por exemplo, há menos resistência ao trabalho das organizações de direitos humanos nas prisões.

Mas não houve mudanças fundamentais. A concepção básica não mudou em nada e muito menos conseguiram modificar os problemas estruturais que existem nas prisões. Não há mudanças na corrupção ou chefia nestes centros; Isso ainda está intacto.
R: Quais são as principais reivindicações dos presos políticos neste momento?

Gloria Silva: A primeira exigência é que lhes seja permitido manter a sua vida colectiva para resolver as suas próprias necessidades de saúde, organizar visitas, proteger-se e organizar os seus grupos de estudo e análise da realidade.

A vida coletiva é essencial para os presos políticos. Obedece a uma visão de mundo e de relações sociais.

Além disso, não são retirados da lista de Grupos Armados Organizados. Este termo vem dos Direitos Humanitários Internacionais e é aparentemente imparcial, mas tem sido muito utilizado na Colômbia.

Eles usaram isso para equiparar insurgências a grupos paramilitares e dizer que são a mesma coisa. Depois, para blindar legalmente o Estado, dizem que os paramilitares são grupos criminosos que não têm qualquer relação com o Estado.

Mas a realidade é que os paramilitares nunca foram adversários do Estado. Tem sido uma forma muito conveniente de aplicar o DIH.

Noutra altura disseram que os paramilitares não eram GAO, mas sim BACRIM, gangues criminosas que deveriam ser perseguidas pela polícia, mas não combatidas pelo exército porque são um problema de criminalidade.

Depois resgatam a figura do GAO no âmbito do processo de negociação com as FARC para incorporar novamente os grupos paramilitares como tais.

Com a implementação dos Acordos de Havana, é emitida a Lei 1.908 de 2018, que estabelece que este tipo de organizações devem estar sujeitas a processos de submissão à justiça.

Retirá-los da lista do GAO significa reconhecer o seu estatuto de “rebelde”. O Petro já fez isso com uma resolução, mas precisa ser aprofundada: deixar explícito que não são GAO e que não estão presos por estarem envolvidos em outras coisas que não a luta pela transformação social.

R: Que atividades você planeja realizar para comemorar o Dia do Prisioneiro Político este ano?

Gloria Silva: Temos um dia de reflexão na Universidade Pedagógica de Bogotá. É muito significativo fazê-lo ali porque as universidades públicas têm estado entre os territórios mais vulneráveis ​​à criminalização do pensamento crítico. Colocaram uma elevada cota de presos políticos.

Haverá conversas sobre diferentes eixos temáticos, espaços culturais, espaços de memória e pote comunitário.

Depois vamos realizar algumas conferências virtuais para tornar visível que o problema dos presos políticos é um problema no mundo, não apenas na Colômbia.

Queremos tornar visível a racionalidade colonial, imperialista e patriarcal da situação dos presos políticos.

Trazer à luz que existem lutas populares em todo o mundo, e os presos políticos são o resultado da repressão dessas lutas.

A prisão é um dispositivo do sistema para destruir grupos, assim como os assassinatos e desaparecimentos que procuram destruir grupos e não indivíduos.

Teremos três espaços de discussão com colegas da Palestina, Filipinas, México, Peru, Argentina e El Salvador para compreender melhor a solidariedade e o internacionalismo que exigem transformações estruturais no mundo.

Este ano transferiremos estas reflexões para a prisão de Cúcuta para integrar a população carcerária nesta discussão sobre memória, resistência, paz total e o momento atual e quem são os presos e os políticos.

Terminaremos a semana na Universidade Industrial de Santander no dia 21 de outubro, com um espaço acadêmico e político com reflexão sobre o papel das prisões no mundo e dando visibilidade aos perseguidos no sistema.

Tudo isto procura tornar visível a existência dos presos políticos, mas também homenageá-los.


FONTE
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A VITÓRIA EXIGE REFORÇOS * Osama Hamdan/Hamas

A VITÓRIA EXIGE REFORÇOS
Osama Hamdan/Hamas 

(1/3)
- Pelo décimo primeiro dia consecutivo, a campanha militar criminosa decidida pelo governo de ocupação fascista continua na Governadoria do Norte, onde centenas de veículos e milhares de soldados são mobilizados, com grande poder de fogo, para isolar o norte da Faixa de Gaza. Cidade, e impor-lhe um cerco, incluindo centenas de milhares de cidadãos civis, onde foram ressuscitados mais de 342 mártires, a maioria deles mulheres e crianças.

- O que está a acontecer hoje no norte da Faixa de Gaza, especificamente em Jabalia e no seu campo, é um processo completo de genocídio, durante o qual o exército de ocupação terrorista comete massacres contra civis, bombardeia casas na cabeça dos seus residentes e ataca civis. estruturas, incluindo ruas e bairros residenciais, padarias, hospitais e poços.

- Dezenas de corpos permanecem sob os escombros, largados nas ruas de Jabalia e do seu acampamento, e as equipas de resgate não conseguem recuperá-los nem chegar aos feridos e presos nos locais onde foram atacados, enquanto os moradores enfrentam uma trágica situação humanitária, com o endurecimento do cerco e a impossibilidade de todos os meios de vida entrarem no norte.

- Esta escalada de crimes e massacres no norte da Faixa de Gaza surge à luz de notícias e relatórios que confirmam que o governo de ocupação começou a implementar o apelo (plano dos generais) para separar o norte da Faixa de Gaza e deslocar os seus residentes.

- O que foi revelado pela Associated Press, em termos de fugas, sobre os detalhes deste plano, que se baseia no reforço do cerco ao norte da Faixa de Gaza, cortando a ajuda humanitária a centenas de milhares de palestinianos no seu interior, impedindo-os de obter comida e bebida, e considerar aqueles que permanecerem nela como combatentes, o que significa que podem ser atacados e mortos, após declarar a área “fechada militarmente”.

- Tudo o que se observa no terreno no norte de Gaza, incluindo o cerco aplicado, os bombardeamentos sistemáticos, a destruição de bairros residenciais, a construção de bermas de terra e o isolamento da província por bombeiros e veículos militares da cidade de Gaza, tudo isto confirma isso. que estamos perante um dos planos militares mais sujos da história moderna, elaborado por generais fascistas, desprovidos de qualquer moralidade humana ou honra militar, em flagrante violação e desrespeito de todas as leis, convenções internacionais e normas humanitárias.

- Estamos trabalhando duro para salvar nosso povo e acabar com esse massacre. Continuamos os nossos esforços para apoiar a firmeza do nosso povo e continuamos os nossos contactos com partidos internacionais amigos, aos níveis árabe e islâmico.
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Osama Hamdan, líder do Hamas 
(2/3):

- O chamado “plano geral” criminoso, que foi posto em prática pelo governo de ocupação terrorista, é o culminar de um ano inteiro de genocídio brutal, durante o qual o exército de ocupação fascista utilizou todos os meios de assassinato e terrorismo, durante o qual cometeu massacres que devastaram a humanidade e mataram mais de quarenta mil dos nossos habitantes na Faixa de Gaza, a maioria dos quais eram crianças, mulheres e idosos, e exerceram todas as formas de pressão e terrorismo, sem conseguirem atingir nenhum dos objectivos declarados, subjugando e resistir ao nosso povo, forçando-o a render-se e a abandonar o seu direito à liberdade e à independência. autodeterminação.

- A comunidade internacional, o seu sistema e as instituições das Nações Unidas fecharam os olhos a este grave crime, deslocando centenas de milhares de pessoas sob o peso de massacres, bombardeamentos, fome e privação de todos os meios de transporte. Constitui um retrocesso sem precedentes nos valores e fundamentos sobre os quais este sistema foi construído, e revela mais uma vez a incapacidade e o fracasso da comunidade internacional em pôr fim à arrogância, ao fascismo e à criminalidade do seu governo extremista e de ocupação. exército terrorista.

- Renovamos o nosso apelo à comunidade internacional e às Nações Unidas para que superem a vontade restritiva americana e considerem medidas eficazes e claras para parar este governo fascista, impor decisões que protejam os civis indefesos e parar a guerra de genocídio contra eles. e confrontar os planos de ocupação no norte da Faixa de Gaza.

- Consideramos a administração dos EUA totalmente responsável por estes massacres, crimes e guerra genocida cometidos diariamente contra o nosso povo na Faixa de Gaza, e pela escalada do cerco e pela matança de civis indefesos nas suas tendas e locais de deslocamento, e Afirmamos que as posições americanas que diariamente apelam ao fim deste genocídio, sem tradução prática ou pressão contra Netanyahu e o seu governo fascista, se tornaram uma das ferramentas desta guerra brutal contra o nosso povo palestiniano.

- Estes massacres não são guerra, mas sim crimes integrados. Além de constituirem uma agressão flagrante contra o nosso povo, constituem uma violação flagrante do direito internacional e uma violação flagrante do direito humanitário internacional. O mundo de hoje é chamado a detê-los. estes crimes e responsabilizar os líderes da entidade sionista perante o Tribunal Penal Internacional e perante os tribunais de crimes de guerra.
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Osama Hamdan, líder do Hamas 
(3/3):

- Apelamos aos nossos países árabes e islâmicos, à Liga dos Estados Árabes e à Organização de Cooperação Islâmica para que tomem medidas urgentes e assumam as suas responsabilidades políticas, morais e humanitárias para exercerem uma pressão séria e eficaz para pôr termo ao actual massacre na Faixa de Gaza, e assumir o seu papel de apoiar o nosso povo, endossando a sua firmeza, impondo a sua ajuda e introduzindo a ajuda necessária a todas as áreas da Faixa de Gaza, especialmente ao nosso povo no norte, e fortalecendo a firmeza. e a resistência do nosso povo para enfrentar os planos da entidade sionista que não só visam o nosso povo, mas também se estendem a todos os países da região, de acordo com a doutrina do governo de ocupação extremista fascista.

- Apelamos ao povo da nossa nação árabe e islâmica, às suas organizações, organizações e movimentos, e a todas as pessoas livres e honradas do mundo, a mobilizarem-se imediata, urgentemente e por todos os meios, nas ruas, praças, universidades e sindicatos, exercer toda a pressão e influência para parar a agressão da ocupação sionista que assassina e desloca o nosso povo. Neste contexto, apelamos aos líderes de opinião e aos académicos da nossa nação para que trabalhem arduamente para activar o papel e o movimento da nação no confronto com a agressão sionista e o apoio americano a esta agressão.

- Renovamos a nossa afirmação de que este plano brutal, denominado (plano dos generais), está condenado ao fracasso, como todas as tentativas do governo de ocupação e do seu exército fascista, ao longo de um ano inteiro de genocídio e criminalidade, para subjugar o nosso povo, ou forçá-los a migrar ou a render-se, foram destruídos; O seu plano no norte da Faixa de Gaza será destruído diante da rocha da firmeza, vontade e firmeza do nosso povo paciente estacionado no norte da Faixa de Gaza, e da coragem e bravura da nossa corajosa Resistência.

- Enviamos uma mensagem de orgulho e orgulho ao nosso povo firme na Faixa de Gaza, e elogiamos a sua lendária paciência e firmeza heróica na sua terra, em toda a Faixa de Gaza, no norte e no sul, e apoiamos todos eles em uma data próxima, para quebrar a arrogância deste inimigo e frustrar o plano de seus generais, com a graça, força e apoio de Deus e graças à sua perseverança, perseverança, paciência e perseverança.
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ATÉ NASCER UM NOVO DIA * BILAL AL-LAQIS/Al-Akhbar

ATÉ NASCER UM NOVO DIA
BILAL AL-LAQIS/Al-Akhbar

Estamos perante uma fase semelhante à fase de 1982 em termos da sua natureza, embora as circunstâncias, os componentes da gestão da batalha e os factores e pesos do conflito sejam diferentes. Naquela época, o ambiente internacional era turbulento, com o campo soviético começando a vacilar, o surgimento de doenças fatais no seu corpo e o auge da ascensão e do sentimento de superioridade do Ocidente. O ano de 1982 foi uma ação militar para derrubar o Líbano e depois a Síria, até extinguir a chama da nascente Revolução Islâmica da época. Ou seja, foi um projeto americano-israelense de hegemonia regional israelense que enfrentava os árabes. hegemonia face ao pólo soviético. A porta de entrada para concretizar esta transformação foi atacar a resistência palestiniana no Líbano e expulsá-la, como um prelúdio para acabar com a questão palestina e expulsá-la completamente da região. Nessa altura, os regimes árabes do Golfo, a Jordânia, o Egipto e outros países e regimes árabes entregaram o assunto à América e precipitaram-se, uma vez que toda a liderança pertenceria à dupla Reagan-Thatcher. Em vez disso, apoiaram as políticas de Reagan a nível global. , regional e local (após o petrodólar e a privatização da economia), e o Líbano sofria com todos os tipos de lutas e conflitos e apostas internas. Tudo estava indo bem e sugeria que uma nova era americano-ocidental-israelense estava nascendo.

Mas deste cenário extremamente complexo e deste momento histórico nasceu o Hezbollah, ou grupos separados que mais tarde seriam conhecidos como Hezbollah. Não havia organização, nem hierarquias, nem mesmo homogeneidade intelectual suficiente além de responder ao chamado da consciência humana, da moralidade e do direito natural de resistir, e responder a um chamado e mandato dado pelo Imam Khomeini em relação à necessidade de resistência, com o que este mandato coloriu remotamente um ambiente que tem profundidade religiosa e histórica e compreende bem o que significa definir um mandato e os seus efeitos sobre todos. Uma pessoa é um crente por si só ou num grupo como um todo. Naquela época, o apelo à resistência nasceu nas almas dos jovens cujas idades não ultrapassavam os vinte ou três anos, e cada empresa, grupo ou grupo embarcou no ato de jihad e resistência e conseguiu, junto com outros libaneses , nacionais e árabes, para repelir o súbito ataque americano-israelense que encontrou na altura um pretexto (uma tentativa de assassinato do Embaixador de Israel). Durante esse período, o ambiente de resistência perdeu o seu líder, o Sr. Musa al-Sadr, outro líder, filósofo e mentor, o Sr. e pensador da revolução da época. Mas com toda a dor e o cenário complexo, chegou o ano de 1985, e os grupos de combatentes da resistência, as suas diversas características e listras, e os seus combates descentralizados e descoordenados (cada um como descrito) conseguiram expulsar Israel até Sidon e depois para a faixa ocupada. Em 1985, as pessoas começaram a saber quem eram esses jovens e qual era a sua história. As histórias de sucesso que foram como uma lenda até o ano de 2024. Hoje, não há dúvida de que o conflito é mais complexo em termos de ferramentas e métodos, mas é da mesma natureza, tema, pretextos e antecedentes. Israel está a viver uma ameaça existencial e uma ansiedade profunda. Entrou numa transformação de identidade e está perto de entrar numa nova década (praticamente entrou), por isso é mais feroz e brutal. A América pode estar a enfrentar a última oportunidade para restabelecer a sua hegemonia e restaurar a sua trajectória de declínio e o seu estatuto e influência globais. Por isso, é mais perigosa e brutal e está a passar por transformações que afectam o seu contrato social, o que a torna necessitada de conquistas no exterior. Uma forma de semelhança com a etapa de 1982 pode ser a pressa e considerar as primeiras conquistas como uma oportunidade para grandes mudanças, como ele observa (semelhante ao que Sharon fez na época. A primeira foi a pressa, e a segunda foi a euforia de as primeiras conquistas: o assassinato dos líderes de primeira linha, até o santo Secretário-Geral). Há também um apoio absoluto ocidental e árabe a isso. Outra semelhança é que ontem o Sr. Khamenei anunciou a atribuição da resistência a toda a nação. Quanto às diferenças, elas são, em primeiro lugar, que a estrutura do Hezbollah é lida num livro e que a sua sociedade está completamente envolvida e identificada com ele, e que os povos internacionais apoiam mais a direita e a causa palestiniana, e que o povo palestino tornou-se completamente crente na sua resistência e no método de resistência como o único caminho após a “inundação de Al-Aqsa” (o que não aconteceu... Ele acredita que se tornou, aos olhos dos palestinos, um agente e um traidor. A resistência hoje está mais treinada, equipada, experiente, espiritual e racional devido à educação, orientação e jornais que Sayyed Hassan Nasrallah lhes acrescentou e à força da sua presença entre eles. A comunidade da resistência e os seus jovens leram num livro, que. é o livro do Estado, e a sua actuação militar baseia-se num método para o qual se preparou, que é o combate descentralizado e de longa duração, e nas suas capacidades militares. Foi preparado para uma guerra em que a profundidade da entidade sionista. e as suas estruturas ficariam expostas por um longo período, talvez anos. Ainda existem sistemas, com personalidades e líderes, que constituem uma garantia na gestão e direção da sociedade e da resistência, apesar do testemunho de antigos mártires.
Dentro do Líbano, não há (aparentemente) ninguém pronto para enfrentar Israel, a fim de explorá-lo num conflito interno com o ambiente de resistência. Os libaneses consideraram, mesmo aqueles que não são amigos da resistência e do Hezbollah. Há uma consciência geral libanesa e um estado de alerta islâmico e cristão.

Internacionalmente, o Irão está mais presente, mais forte e influente, e hoje é um país chave no mundo. Está no centro do campo, confrontando a entidade sionista, e não está preso em batalhas paralelas como as que lhe são impostas. Iraque ou confrontar os Takfiris. A Rússia teme que a derrubada da resistência ou o seu declínio no Líbano não seja mais do que um prelúdio para a derrubada da Síria, como foi recentemente, usando ferramentas americanas (mesmo que tenham mudado). isso, mesmo com certos limites de apoio. Hoje, há novos povos e países árabes no cenário do conflito (o que há de novo na região hoje é o Iémen, o Iraque, a fatwa de Sua Eminência o Aiatolá al-Sistani e o Egipto, e mesmo que discordemos dela em muitos assuntos , a sua perspectiva sobre a segurança árabe e regional e os interesses superiores permanece diferente das perspectivas dos Estados fracos ou quase-Estados, como os Emirados, o Bahrein, a Jordânia e o Reino de Al Saud).

Portanto, pode-se notar a partir deste panorama e das circunstâncias, o que foi diferente do ano de 1982 e o que foi igual. Acredito que os mujahideen do Hezbollah, em vários campos militares, intelectuais, culturais, mediáticos e sociais, devem olhar para esta fase como. se fosse um segundo nascimento, e um momento em que emergem para assumir a responsabilidade histórica com sinceridade e confiança em Deus e na verdade, e consideram o tamanho e o peso da confiança e a necessidade de serem retos na grandeza do que. foi realizado sob os auspícios e liderança da geração fundadora, especialmente do santo e amado mártir Nasrallah, para que eles completem o que lhes foi dito e acreditem nisso. A oportunidade histórica é maior do que imaginamos e a esperança é maior do que imaginamos, com a permissão de Deus e os esforços daqueles que se esforçam. O mandato é claro, os requisitos para travar a batalha e vencê-la são claros, e o ambiente árabe-islâmico é melhor do que em qualquer momento da história dos muçulmanos. A sua integração foi estimulada por um triângulo: Qassem Soleimani - Ismail Haniyeh -. e o santo mártir Nasrallah. Acrescentamos: Muitos regimes do Golfo são frágeis e ansiosos, e a América já não é o que era, como as suas eleições nos diriam, mesmo que pretenda mostrar mais força e militarização.

Portanto, a responsabilidade que temos hoje é iniciar, resistir e quebrar o projecto sionista. O campo determinará o segundo nascimento desta marcha, cuja segunda metade será “além da entidade sionista”, e a bandeira da fé irá. voar no novo mundo.

POR TODO O POVO BOLIVIANO * Rolando Prudencio Briancon/Estado Maior do Povo/Bolívia

POR TODO O POVO BOLIVIANO

Dejémonos de pendejadas ¿no?; que éste bloqueo es por la economía de TODOS los bolivianos

Bueno, ¿hasta cuándo las clases medias van a tener esa actitud tan pendeja y cobarde de no sólo hacerse a la desentendida de la situación económica del país, y que nos afecta a moros y cristianos, a masistas y no masistas; sino que además, y como siempre esperan que sea el pueblo, los cocaleros, campesinos, productores, etc quienes tenga que defender para todos una causa común. ¿O es que el incremento de precios de todo tipo de productos como los alimentos, o el desabastecimiento de combustible, o la falta de dólares, y otros, ¿no nos afectan absolutamente todos los bolivianos sin excepción?

Claro que cómo siempre esa mentalidad logrera y acomplejada de las clases medias de ser y no ser, de estar y no estar, de actuar y no actúa es la que no sólo a parte de que no se tome conciencia de esa su condición de clase afectada por las medidas impopulares del gobierno, sino que espera cínicamente que sea el pueblo el que defienda sus intereses, ya que al defender los suyos defienden de todos; pero además que criticar la radicalidad de la medida.

Por ejemplo la Policía que es en organismo encargado de reprimir a los movilizados, llega a perder toda noción y contacto con la realidad, creyendo que no son parte afectada por la situación económica del país, y que es por la que el pueblo se moviliza por qué cambie, pero ella sólo se dedica a reprimir. Y es que como siempre la Policía como el Ejército pierden esa noción porque son sectores privilegiados al ser siempre mantenidos por el pueblo.

Pero no son los únicos que pierden esa noción de la realidad, sino que hasta los propios empresarios, quienes se consideran un actor, un motor fundamental de la economía del país, critican y atacan las movilizaciones de los sectores que están en pie de lucha defendiendo el interés general, que entre estos están los del empresariado.

Así se ha escuchado criticar a los representantes de lsd distintas organizaciones empresariales, como el caso de Juan Carlos Ávila Solís de la Cámara de Exportadores de Cochabamba, quien señaló que: "Estás medidas atenta economía del país". O el presidente de la Federación de entidades empresariales Juan Pablo Demeure quien señala que: "Este tipo de medidas son un suicidio, y exige al gobierno levantar el bloqueo de caminos". Y es obvia la pregunta, ¿qué afecta más si las medidas de los movilizados por defender la economía de TODOS o el gobierno que atenta contra TODOS.

Desde luego que no son los únicos actores que critican las medidas asumidas por los sectores movilizados, sino que son los diferentes estamentos sociales que componen está clase sin identidad ni ética, ya que son quienes critican irreflexivamente, demostrando un descarado desclasamiento.

Es momento entonces de denunciar sin tapujos lo taimadas que son las clases medias en el país, que están a la espera de que no sólo sea el pueblo humilde y luchador el que defiendan los intereses también de ellos, pero que por su condición de clase acomplejada sale todavía con sus pendejadas criticándolo.

Rolando Prudencio Briancon
Abogado
CARNICEIRO DE SENKATA

Feliz Domingo * (Alexander Molina)

Feliz Domingo
(Crônicas Anônimas de uma Tragédia Pública)
Hoy a punto de finalizar el mes de marzo, que sin lugar a dudas, tendrá un puesto en nuestra memoria, nos encontramos en medio de una pandemia mundial, que constituye, de por sí, nuestro principal frente de Batalla, ya que la salud está primero, y lo demás es ganancia, no obstante, el Gobierno Gringo, sumergido en sus crisis, arremete, con sus pretensiones imperiales, contra el Estado Venezolano, con acciones canallas y deplorables hacia los líderes de nuestro Gobierno Legítimo, con apoyo de sus aliados Lacayos y Vende Patria, hechos inusuales, en virtud que todo el Planeta Tierra, se avoca a enfrentar la amenaza única contra la Humanidad: Coronavirus-19, con solidaridad y fraternidad entre las Naciones y todas las Organizaciones Mundiales, poniendo esfuerzos y sacrificios en librar luchas que permita controlar la epidemia y minimizar las lamentables consecuencias que ha producido. Ahora bien, dichas pretensiones imperiales, no pueden tomarse a la ligera, si ellos, son capaces de decirlo públicamente y seguir exhortando al odio y a la miseria, por sus ansias de Poder, nosotros, Pueblo Venezolano, como descendientes de los Libertadores, torrente de pasiones libertarias, emancipadoras y soberanas, tengan por seguro que nos haremos respetar y que defenderemos nuestro mayor bien preciado; no son momentos de vaciladeras ni mamaderas de gallo, ni de chistes ni memes, son momentos para cuidarnos, estar prestos y alertas, para meditar y reflexionar, para tener calma y cordura, con consciencia y sensatez social, pero en pié de lucha, valientes y con la moral en alto, porque el Clarín de la Patria, ya está sonando, desde hace tiempo, debemos estar vigilantes, observadores, racionar lo que tengamos a nuestro alcance y visualizar todos los escenarios multidimensionales posibles, que afrontaremos con verdadero ahínco y fragor, seguros que saldremos victoriosos y orgullosos de esta Gran Gesta Heroica, que como Protagonistas Principales, dejaremos escritas las hojas de Éxitos y Victorias en la Historia que leerán y recordarán nuestros descendientes; hagamos que las cosas sucedan favorablemente, que todo fluya en pro del bienestar colectivo y no desperdiciemos energías en su guerra mediática disociativa, preñada de generar histeria, confusiones, vulnerabilidades y traiciones; los que estamos forjados para consolidar la Revolución, estamos bien claro y definidos, Leales Siempre, Traidores Nunca, no hay espacios para las dudas ni para las tentaciones y ambiciones particulares, solo tenemos en mente, consagrar nuestras vidas por la Patria Amada, manteniendo filas en la Vanguardia, con humildad y misericordia, solidarios, llenos de amor para nuestro prójimo y semejante, Somos un País, unidos, donde ondea la Bandera Nacional, plena de Libertad. Seguiremos en Unidad, Lucha, Batalla y Victoria, seguros Hasta La Victoria Siempre, Venceremos!

AAM
Alexánder Molina  gerentespfmnh@gmail.com
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CARTA DE DESPEDIDA * Crônicas Anônimas de Uma Tragédia Bem Urdida (ACF)

CARTA DE DESPEDIDA
-Crônicas Anônimas de uma Tragédia Bem Urdida nº03-
-EstadodeMinas-
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Carta de despedida y de perdon de un jóven español a su padre fallecido por el corona virus

Soy un joven nacido en Alicante, tengo 32 años y soy hijo de un hombre de 68 años  que gozaba de buena salud solo era diabético y hoy muerto por neumonía a causa del coronavirus, lo que le provocó una insuficiencia respiratoria en el Hospital General de Alicante y falleció

Escribo esta carta con una mezcla de pena, rabia, dolor, vergüenza, culpa, crítica, alivio y desahogo por todo lo que he vivido.

Expongo el caso de mi padre, porque lo necesito, porque lo tengo dentro de mí y creo que de alguna manera me aliviará escribir lo vivido.

Eran las 02.30 horas del domingo, 22 de marzo de 2020, cuando mi padre me dijo que no saliera porque estabamos en cuarentena a causa del covid, yo estaba desesperado por visitar a mi novia y me fui en mi coche con una ropa vieja que al llegar a su parking en su casa deje, me duche y me puse ropa limpia, pase varios días divertidos con ella, vimos TV, tomamos vino, cocinamos, nos reímos en fin fue toda una aventura, creia que con el hecho de llamar por celular  a mis padres era suficiente, pero dentro de mí corazón sabía que no era así y que el gobierno tenía razón y que me salí de casa sin la benevolencia de mis padres, a los 6 días regresé a casa agotando el mismo protocolo de cuidado que hice al irme a casa de mi novia, solamente fui a colocar gasolina a mi coche, a los 3 días de estar en mi casa mi padre empezó a sentirse mal con problemas respiratorios, pero no tenía ni fiebre ni tos y tuvimos que llamar a emergencias, Mi madre  se asustó y no paraba de llorar puesto a que no pudo irse con el, pues así es el protocolo, luego nos llamaron del hospital y nos dijeron que no fuéramos y que por este medio nos estarían informando, a los dos días supimos que había resultado positivo para covid-19, y fueron a practicar nos a mi y a mi mamá la prueba, mi mamá resultó negativa, pero yo positivo asintomático, indique que había tenido contacto con mi novia quien también resultó negativa, indique que había comprado un suministro de gasolina y al contactar al chico ya estaba aislado por covid 19, entendí que ahí adquirí en virus y lo lleve a mi casa, sin la intención de haber causado la muerte a mi padre,  hoy le pido perdón a Dios, a mi padre, a mi madre, a mi famiia, a mis vecinos, a mi novia y toda su familia, al gobierno y todo aquel que dijo quédate en casa, ya no puedo hacer nada con este arrepentimiento, ni puedo abrazar a nadie ni nadie a mi para quitarme este dolor, el día que mi padre se fue en esa ambulancia fue el último día que lo vi, no puedes visitarle a los enfermos en la clínica, no sabes ni como murió,  si acostados ahí como harán sus necesidades, quien los bañara, solo nos llamaron a decir falleció, no puedes ni darle cristiana sepultura, ni un último adiós, ni pedirle perdón, no sé cuáles fueron sus últimas palabras, ni si sufrió, si lloro, no pude ni tomarle la mano a quien tantas veces me la tomo a mi, padre querido sé que me amaste tanto que ya me habras perdonado pero yo para siempre cargaré la cruz de mi imprudencia con dolor desde todo mi ser, te pido perdón, te amo papá diera el precio que fuera por retroceder el tiempo y haberme quedado contigo en casa y se que mi novia lo hubiera entendido y sino lo hubiera hecho entonces no era la mujer para mi, ella también está muy mal y se siente culpable porque no debió permitirme ir a donde ella pero ese caballo salvaje que llevamos por dentro sin rienda suelta cuando estamos enamorados no la dejó ver más allá de la razón.

Cuiden a sus seres queridos; el dolor que te deja una perdida con culpa es devastador.

Perdón mirando el cielo.
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